domingo, 2 de junho de 2019

A Luz no fim do túnel.



No dia 09/08/1993 nasceu uma pessoa diferente. Uma pessoa pouco parecida com as outras existentes. Em um hospital hoje abandonado nascia a minha pessoa, o escritor desse humilde texto, e minha mãe teria um dos melhores momentos de sua vida. Entretanto, iria começar, naquele instante, uma jornada de muita luta. Meu pai e minha mãe se separaram naquele ano de 93 e a Dona Nereide, como muitas outras matriarcas nesse país de terceiro mundo, se viu sozinha na imensidão do mundo, durante a transição para a nossa atual sociedade. O que eu quero dizer, leitor, é que a Dona Nereide percebeu que estava só, mas NUNCA abaixou a cabeça e desistiu. Naquele momento, nossa família era composta de três pessoas: Dona Nereide, Sarah, minha irmã mais velha, e a minha pessoa, recém nascido. As minhas lembranças dessa época são mínimas, mesmo quando eu tento me recordar dos meus dois, três, quatro anos. Não consigo puxar na memória algo que tenha me marcado, pois é como se tivesse sido um limbo temporal na minha existência nesse plano. Alguns anos se passaram, mas eu existi apenas na memória das pessoas que me viram, visto que não consigo relatar algo que eu realmente me lembre. Já com sete anos de idade, minha mãe pediu a minha avó materna, Dona Maria, que cuidasse de mim e da minha irmã enquanto a Dona Nereide terminava sua graduação em Direito - minha mãe nessa época já batia seus quarenta anos de idade, quarenta. - e minha avó prontamente aceitou o desafio com o maior orgulho e com a maior alegria, segundo relatos. Poucos dias se passaram desde a minha chegada ao novo lar e eu ainda me sentia estranho, pois aquele lugar não era o "meu". Aqui as coisas começam a ficar interessantes ... Mês de Agosto, Dia dos Pais, Meu aniversário. Primeira série do Ensino Fundamental e lá estava eu, um menino comum, alegre, brincalhão e que tentava com todas as forças ser igual aos outros e outras. Lembro-me perfeitamente da Professora nos chamando para a sala de aula devido a uma surpresa que foi preparada para os alunos naquele Dia dos Pais. Ao chegar na sala, cada um foi direto ao seu lugar e eu era o ponta esquerda do time, sentava na primeira cadeira da primeira fileira na parede esquerda da sala. Olhos sempre na lousa ou na janela, observando o movimento, o mundo lá fora ou as escritas que estavam no quadro. Ficamos todos quietos. A tensão no ar. Ninguém estava percebendo o que estava acontecendo com exceção da Professora, é claro. Pisquei os olhos e quando abri, os pais de todos começaram a entrar na sala de aula e ir em direção aos seus entes queridos. Todos os meus colegas de salas estavam com seus pais, todos. Adivinhe você, leitor, quem era o único que não tinha ninguém. Aquela coisa toda de festa, cumprimentos e abraços e eu lembro de desviar o olhar para a janela evitando não chorar. Pisquei de novo. Acredite em mim, vários minutos já se passaram e eu só lembro dos pais entrando pela porta e, de repente, a Professora aparece ao meu lado dizendo que havia uma carta para mim. Uma carta do meu pai. Confesso que não lembro nada do que estava escrito, mas lembro do papel, da caligrafia, não do conteúdo. Abri a carta e li o que estava escrito e logo em seguida desabei no choro. Um criança de sete anos, sozinha no dia dos pais em uma escola pública no interior de São Paulo, recebendo a carta de uma pessoa que até hoje, nos meus vinte e cinco anos, não tem definição para mim. Abaixei a cabeça entre os braços, pois não queria que meus colegas de classe percebessem o meu desespero naquele momento. A memória mais perfeita que eu tenho desse momento é da última linha da carta e essa sentença dizia "No fim do túnel há uma luz!".

É aqui que as minhas alegrias foram levadas de mim da mesma forma que o vento leva uma folha caída no chão ...

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